Irmão Saldanha Marinho morreu no dia 27 de Maio de1895, aos 79 anos, no Rio de Janeiro, e seu corpo foi sepultado no Cemitério São João Batista.

Em 1882, ainda veio Saldanha Marinho demonstrar o seu grande amor à Maçonaria, empregando todos os meios para a sua unificação, efetuando-se a fusão dos dois Grande Orientes, o que decretado e aceito pelos dois corpos em 21 de dezembro de 1882, foi realizado em Janeiro seguinte (18 de Janeiro de 1883).

Fonte da Biografia de Saldanha_Marinho

Joaquim Saldanha Marinho, filho de Pantaleão Ferreira dos Santos (falecido na Revolução Pernambucana de 1817) e de Dona Augusta Joaquina Saldanha, nasceu em 04 de maio de 1816 na cidade de Recife, no estado de Pernambuco.

Casou-se em 1837 com Paulina, de cuja união nasceu três filhos, dentre os quais, Joaquim Saldanha Marinho Jr., professor de matemática. Foi advogado, jornalista, político, professor, sociólogo e Grão-Mestre da Maçonaria.

Saldanha Marinho faleceu no dia 27 de maio de 1895, aos 79 anos, na cidade do Rio de Janeiro, sendo seu corpo sepultado no Cemitério São João Batista no Bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro.

Foi Presidente das Províncias de Minas Gerais (1865-1867) e de São Paulo (1867-1868) e Deputado pela Província de Pernambuco. Em sua gestão como Presidente da Província de São Paulo, teve participação preponderante para acalmar as lutas entre Liberais e Conservadores paulistas.

Foi graças ao seu esforço pessoal que foi criada a Companhia Paulista de Estradas de Ferro, sendo este um anseio dos fazendeiros paulistas interessados em escoar suas mercadorias, estendo a rede ferroviária de Jundiaí até Campinas.

Quando a estrada de ferro foi inaugurada em 1872, Saldanha Marinho esteve em Campinas acompanhado com uma filha, onde foi homenageado por sua dedicação e entusiasmo pessoal para que a obra pudesse vir a ser concretizada.

Graças à sua excelente gestão enquanto esteve à frente da Província de São Paulo, deixou o maior entusiasmo e abriu uma nova era de realizações que permitiu a São Paulo alcançar a pujança que atingiu até os dias de hoje. Ainda na política teve mandatos de Deputado Geral nos períodos de 1848, 1861 a 1863, 1864 a 1866, 1867 a 1868, 1878 a 1871 e foi senador de 1890 a 1895.

Exerceu cargo supremo da Maçonaria brasileira, trabalhando pela causa da instrução pública, pela abolição da escravatura e pela República. Foi quem assinou, em primeiro lugar, o célebre manifesto republicano de 1870. Com a Proclamação da República, foi um dos autores do anteprojeto da Constituição de 1891. Teve destacada atuação na Questão Religiosa na década de 1870 quando publicou vários artigos em jornais.

Foi homenageado ao figurar a extinta cédula de 200 mil réis.

A rua Saldanha Marinho foi a primeira a receber o plantio de árvores estrangeiras em Campinas, os plátanos. Antes, ela tinha o nome de rua do Matadouro, por causa da existência de um abatedouro na esquina com a avenida Dr. Campos Salles que funcionou até 1884. A via recebeu o nome de Saldanha Marinha em 1871. A homenagem à personalidade pernambucana foi proposta pelos vereadores.

Matriculou-se na Faculdade de Direito em 1832, formando-se a 15 de novembro de 1835. Em 1837, nomeado promotor de Icó, embarcou para o Ceará, que considerava sua segunda Pátria, e onde residiu durante anos. Foi professor de Matemática no Liceu, curador de órfãos, secretário do governo, inspetor de tesouraria, deputado provincial em três legislaturas, deputado geral na câmara dissolvida em 1848.

A revolução que então rebentou em Pernambuco e prometia estender-se a outras províncias do norte mostrou-lhe a conveniência de fixar-se no sul. Foi para Valença, no Estado do Rio, onde ficou até 1860, deixando as maiores simpatias na população, vinculando seu nome a melhoramentos da cidade. Diversas vezes foi eleito deputado à assembleia provincial do Rio de Janeiro.

Em março de 1.860 mudou-se para a Capital, onde assumiu a redação do Diário do Rio de Janeiro. É este o período mais brilhante de sua vida, sempre cercado de homens como Machado de Assis, Quintino Bocayuva e Muzio. A sua popularidade atingiu proporções extraordinárias, ganhando com Theóphilo Ottoni, Martinho Campos e Francisco Octaviano eleições disputadíssimas contra o governo.

De 1865 a 1867, governou Minas Gerais, prestando muitos serviços e agenciando voluntários para a Guerra do Paraguai. Em 1867, governou São Paulo, onde deixou o maior entusiasmo, e abriu nova era que levou aquele estado à culminância que hoje atingiu. Quando em 1870 organizou-se o partido republicano, foi o chefe reconhecido por todo o Brasil.

Em 1873, ao rebentar a questão religiosa foi a verdadeira alma deste movimento. Andam reunidos em quatro volumes os artigos vibrantes e apaixonados que então escreveu nos jornais sob o pseudônimo de “Ganganelli”.

Em 1878 foi eleito deputado geral pelo Amazonas.

Com a Proclamação da República foi nomeado para a comissão encarregada de redigir o projeto da Constituição. Eleito para a constituinte pela Capital Federal (na época Rio de Janeiro), tomou depois assento no Senado. Nas últimas eleições foi reeleito senador por 9 anos.

Em 1863, quarenta e cinco Maçons do Grande Oriente do Brasil, entre os quais Saldanha Marinho, separam-se e foram constituir um outro corpo que funcionou sob a denominação Grande Oriente do Brasil ao Valle dos Benedictinos. Saldanha Marinho, desde 1863, havia recebido a honrosa incumbência de exercer o cargo de Grão Mestre, e tal impulso deu ao corpo que dirigia, que a Maçonaria começou a sentir-se de novo respeitada e com forças para agir em auxílio do seu inteligente e dedicado chefe.

Para isso o seu principal empenho foi fazer a unificação da família maçônica brasileira e esse fato realizado em 20 de maio de 1872 tornou-se uma burla pela luta íntima devido à eleição para o cargo de Grão Mestre. Quando em 1870 organizou-se o partido republicano, foi o chefe reconhecido por todo o Brasil.

O Grande Oriente Unido do Brasil, o novo corpo resultante da fusão dos dois Grandes Orientes, voltou a trabalhar no Valle dos Benedictinos, continuando, entretanto, o antigo Grande Oriente ao Valle do Lavradio, embora um tanto enfraquecido pela adesão de diversas oficinas ao novo corpo. Começou nesta época a denominada questão religiosa e Saldanha Marinho, sob o pseudônimo “Ganganelli”, bateu-se valorosamente na imprensa, em nome da Maçonaria, pelas grandes reformas sociais por que anelava esta grande e generosa Nação.

É certamente o período mais glorioso de sua longa vida pública e maçônica.

Foi neste período que vimos levantarem-se numerosíssimas oficinas, em que se congregavam aqueles que em torno do chefe, faziam resistência ao clericalismo insolente e ao fanatismo pernicioso.

Em 1882, ainda veio Saldanha Marinho demonstrar o seu grande amor à Maçonaria, empregando todos os meios para a sua unificação, efetuando-se a fusão dos dois Grande Orientes, o que decretado e aceito pelos dois corpos em 21 de dezembro de 1882, foi realizado em Janeiro seguinte (18/01/1883 ).

Só então foi-lhe dado resignar o malhete do Grão Mestrado. Só então foi-lhe concedido o repouso da longa luta que dirigiu.

A Maçonaria tudo devendo aquele que a dirigiu durante dezenove anos, confessa-se reconhecida e grata e disso dá as mais sinceras provas quando o eminente cidadão baixa a tumba, chorando e pranteado por sua família e pela Nação inteira.

O Estandarte da Ordem envolve-se em crepe e nós choramos o chefe e amigo.

Vale!  H.V. ( Boletim do Grande Oriente do Brasil-Maio de 1895)

 

Cargos Públicos Exercidos por Saldanha Marinho:

. Promotor Público no Crato-CE;

. Secretário de Governo;

. Administrou as Províncias de Minas Gerais e de São Paulo;

. Advogado do Conselho de Estado;

. Juiz dos Feitos da Fazenda em Fortaleza;

. Advogado do Conselho de Estado;

. Deputado e Senador.

Profissões:

. Servidor Público. Professor, Sociólogo, Advogado, Jornalista e Político.

Mandatos:

. Deputado Geral – 1848 a 1848, 1861 a 1863, 1864 a 1866, 1867 a 1868 e de 1878 a 1881.

. Senador – 1890 a 1893 e de 1894 a 1895.

Trabalhos Publicados:

. O Rei e o Partido Liberal. Rio de Janeiro, 1869, 2 V., 61 E 64 P. In. Quarto destes dois excertos foram reimpressos em um só volume com o título: “A Monarquia e a Política do Rei”. Rio de Janeiro, 1885. 153 P. In Quarto nesta edição se acham mais dois Artigos: “O Elemento Servil” e o “Partido Liberal em 1885”.

. “A Igreja e o Estado”, sob o pseudônimo de Ganganelli. 4 V. Segunda Edição, Rio de Janeiro, Typ. Imp. De J. C. De Villeneuve, 1874, 1875, e 1876 (IHGB). Estes escritos publicados, primeiro no “Jornal do Commercio” com o pseudônimo de Ganganelli, eram procurados com avidez admirável durante a questão religiosa.

Da mesma época e com o mesmo pseudônimo:

. “Os Actos do Papado”, Ganganelli. RJ, 1874.

. “Decadência do Papado”, Ganganelli. RJ, 1874.

. “Propaganda Episcopal”, Ganganelli. RJ, 1874.

. “O Assalto de Macapá e o Ultramontanismo”, Ganganelli RJ, 1874, em duas partes.

. “O Governos e os Bispos”, Ganganelli. RJ, 1874.

. “O Confessionário”, Ganganelli. RJ, 1874.

. “O Arcebispo da Bahia”, Ganganelli. RJ, 1874. O capítulo vigésimo sétimo da segunda série do livro a Igreja e o Estado, a propósito da manifestação de outubro.

. “Missão Penedo, estado da questão religiosa”. RJ, 1874. 6 partes formando um volume.

. “Julgamento do Bispo de Pernambuco. Ganganelli. RJ, 1874. 6 partes em um volume.

. “A Execução da Sentença do Bispo de Olinda”. Ganganelli. RJ, 1874, 4 partes em um volume.

. “A Declaração do Senador Conselheiro Zacarias de Vasconcellos”. Ganganelli. RJ, 1874.

. Manifesto que ao povo maçônico do Brasil, e todos os Maçons em geral dirigiu o grande oriente do Brasil do Vale dos Beneditinos, proferiu no dia 24 de fevereiro de 1864, por ocasião de presidir pela primeira vez aos trabalhos. Rio de Janeiro, 1865. 56 P.

. Discurso proferido na sessão de posse da primeira admissão A: E R: Off: Fernão Valle de Valença”, em 14 de agosto de 1865. RJ, 1865. 24 P.

. Discursos proferidos por ocasião das posses dos Ddg: Off: Das Of: Segundo a ascensão ao Vale dos Beneditinos e Instituição das Sociedades Libertadoras (pelas Senhoras) e Protetora dos Libertos, aos 26 de março e 2 de abril de 1870. RJ, 1870.

. Discurso proferido na abertura dos trabalhos da Assembleia Geral do Povo Maçônico Brasileiro, em 27 de Abril de 1972. RJ, 1872.

. Discurso proferido por ocasião da posse das Administrações das Lojas: Confraternidade Beneficente e Ceres, em 20 de maio de 1876, na cidade de Cantagalo. Rio de Janeiro, 1876. 12 P.

. A questão da alfândega e o Dr. Joaquim de Saldanha Marinho. Rio de Janeiro, 1862. 46 P. A mesa da diretoria do Partido Liberal de Pernambuco e o Conselheiro Joaquim de Saldanha Marinho. RJ, 1870. 16 P.

. A questão religiosa no Brasil, discurso na Câmara dos Deputados, em 16/07/1880. Rio de Janeiro. 96 P.

ARLS UPJSH – 3.404 (DDL)

Fontes de Transcrição:

Boletim do Grande Oriente do Brasil – Maio de 1895

(A:FC/R:CRS) Ao retransmitir esta mensagem favor não retirar os créditos Assessoria de Comunicação da www.redecolmeia.com.br

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