PRINCÍPIO FILANTRÓPICO NA MAÇONARIA

Kadosh 2 – SP.

A Filantropia é o terceiro princípio previsto no primeiro artigo da Constituição do Grande Oriente do Brasil conforme assinalamos em trabalho anterior (Princípio Filosófico na Maçonaria) e publicado neste veículo de divulgação.

Sendo a Sublime Ordem caracterizada pelo amor ao próximo, dentre outros elementos de bondade, não poderia mesmo deixar de cultivar essa virtude que integra a essência de toda sua doutrina.

Por filantropia podemos entender o sentimento de amor à humanidade sem nenhuma discriminação ou interesse de recompensa pelo bem que possa ser oferecido ao destinatário considerado merecedor para atender suas necessidades naquele momento ou ainda de caráter temporário. Faz-se necessário que o benefício seja espontâneo e que seja inspirado na caridade sem o propósito de deixar o beneficiário exposto ao desconforto de humilhação ou mesmo qualquer outro constrangimento, mas em situação que possa superar as dificuldades vividas e prosseguir no futuro sua caminhada independente. Aliás, a própria etimologia encerra esse pensamento quando a palavra emana do latim (philanthropia, ae), significando amizade, profundo amor ao próximo, generosidade para com o semelhante, caridade, desprendimento, beneficência.

A História registra que já as guildas medievais costumavam exigir de seus membros uma parte de seus ganhos para auxiliar os necessitados da comunidade, em especial aos da mesma profissão, pedreiros, pintores, cortadores de pedra, lapidadores, encanadores, etc., evidenciando que sempre a filantropia foi exercida pela Ordem desde seus primórdios independentemente de acentuadas preferências desde que os beneficiados sejam realmente merecedores. E a avaliação deste merecimento é medida de conformidade com os critérios de moralidade, ética, honradez, seriedade, legalidade, crença no GADU e vida eterna, além de outros parâmetros adotados pela doutrina maçônica.

Igualmente, a Maçonaria Especulativa consolidada pelo Bispo anglicano James Anderson e responsável pela Constituição Maçônica de 1723, realçou esse princípio, especialmente na fase do Iluminismo quando personagens de expressão intelectual e econômica passaram a integrá-la.

Inúmeros restauros de monumentos da Europa  foram custeados pela Fraternidade e auxílios a nosocômios dos mais variados beneficiaram-se com essa dádiva. Entidades que abrigavam crianças, idosos e desafortunados também viram-se contemplados.

Na verdade, toda filantropia origina-se do Amor e Caridade lembrando que todas estas virtudes nos conduzem a Fé e também a Esperança, formando o trio – Fé, Esperança e Caridade, importante alicerce espiritual da Ordem.

Sobre o assunto Raul Silva (Maçonaria Simbólica – Ed. Pensamento – págs. 50 e seguintes) lembra a Escada de Jacó contendo três lances que simbolizam a Fé, Esperança e Caridade. E prossegue: “A Fé é o traço de união que liga a criação ao Criador; portanto, a base da eterna Justiça, o laço de amizade e principal sustentáculo da sociedade humana. Vivemos e agimos alimentados pelo sentimento da confiança que uns aos outros inspiramos, que também nos proporciona esperança, alenta-nos a alma com a convicção que nos dá da existência de um Ser Supremo. A Fé justifica nossos atos de amor pelas coisas incriadas; é como que a evidência psíquica das coisas que escapam aos nossos sentidos físicos…. É pela Fé, tal nos mostra a Maçonaria, que alcançamos as mansões supremas onde nos integralizaremos com o Supremo Arquiteto do Universo… a Esperança é a âncora da alma humana: imóvel e poderosa, firme e consoladora. Tenhamos, pois confiança absoluta no Grande Arquiteto, esforçando-nos por nos manter dentro dos limites de suas sacratíssimas  promessas, e alcançaremos nosso alvo.” Por sua vez , continua o autor citado, “A Caridade é uma das mais brilhantes joias com que, mui justamente, se adorna a Sublime Ordem Maçônica. É a pedra de toque e a mais segura prova de sinceridade entre os maçons. A benevolência , acompanhada pela Caridade, honra a Ordem Maçônica, no seio da qual esta soberana Virtude floresce constantemente, por ser um dos escopos que mais  preocupa e com maior esmero cumprem os verdadeiros maçons.”

Estes são alguns enfoques do tema filantrópico que a Ordem adota em toda sua plenitude juntamente como tantos outros baseados no amor a todos os seres viventes da Terra na esperança de que se aproximem da Divindade.

O princípio seguinte é o progressista e poderá ser objeto de outras observações oportunamente.

Autor: Irmão José Geraldo de Lucena Soares
Membro da Loja FRATERNIDADE JUDICIÁRIA, 3614 – Grande Oriente do Brasil
Mestre Instalado,  Grau 33″ do rito escocês antigo e aceito

 

 

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